Moradores indígenas e ribeirinhos do Tarumã-Açu, em Manaus, estão preocupados com o possível fechamento do Porto da Prainha, principal acesso à área urbana. Eles relatam que a privatização do espaço pode impactar o escoamento da produção e o acesso a serviços essenciais para mais de 150 famílias.
O agricultor Pedro Ferreira, de 61 anos, que reside na Comunidade São Pedro do Caniço, destacou que o porto é o caminho mais próximo para a cidade. ‘Venho aqui pelo menos uma vez na semana para comprar comida. É o mais perto da cidade’, afirmou.
O porto, situado em meio a um estaleiro privado, levanta preocupações entre os moradores sobre o fechamento do acesso. Edivan Silva, produtor de aves da Comunidade Senador Jefferson Peres, ressaltou a importância do local para o escoamento da produção: ‘A gente precisa muito desse porto para comprar alimentação e escoar a mercadoria’.
Maria Alice Karapanã, professora bilíngue da Aldeia Yupirungá, enfatizou que a perda do acesso ao porto dificultaria o acesso a direitos básicos, como educação e saúde. ‘Os alunos que precisam ir para a escola a partir do ensino médio passam por aqui’, disse.
A equipe da Defensoria Pública do Amazonas (DPAM) visitou a área para ouvir os moradores e planeja realizar um levantamento técnico sobre a propriedade do terreno e a regulamentação do porto. O defensor público Carlos Almeida Filho destacou a importância de verificar se o uso do espaço é público ou particular.
A iniciativa da DPAM também contribuirá para o Plano de Ordenamento da Bacia, que está sendo elaborado pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) em parceria com o Comitê do Tarumã-Açu. O documento visa analisar os aspectos econômicos, sociais e ambientais da bacia e garantir o acesso das comunidades.
