A professora Angela Maria Gonçalves de Oliveira, do Instituto de Educação, Agricultura e Ambiente (IEAA) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), analisa os resultados das escolas em tempo integral no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025. Ela destaca que as instituições com jornada ampliada apresentaram melhores índices em comparação às de jornada parcial.
No Brasil, as escolas em tempo integral alcançaram uma média de 6,2 no Ideb nos anos iniciais do ensino fundamental, enquanto as de jornada inferior a 7 horas obtiveram 6,0. No Amazonas, das 232 escolas de ensino médio avaliadas, as de tempo integral tiveram média de 4,4, contra 3,7 das demais.
Angela Maria ressalta que o desempenho no Ideb não pode ser atribuído apenas à ampliação da jornada escolar. Ela afirma que a qualidade das experiências educativas e um currículo integrado são fundamentais para o sucesso. “Não adianta deixar a criança mais tempo na escola se a escola não tem um currículo integrado”, explica.
A docente também discute a diferença entre educação em tempo integral e educação integral, enfatizando que a formação deve ir além do ensino de matérias, promovendo o desenvolvimento pleno do estudante. “A escola deve possibilitar formação para que o estudante reconheça e valorize sua identidade e seu território”, afirma.
Angela Maria alerta sobre os desafios enfrentados no Amazonas, como a necessidade de infraestrutura adequada e a preparação dos docentes. “Escola em tempo integral exige professor em tempo integral”, destaca, ressaltando a importância de respeitar as especificidades de cada território na implementação do ensino integral.