O Brasil está avançando na produção de imunoglobulina, um medicamento essencial para o tratamento de imunodeficiências, infecções bacterianas e alguns tipos de câncer do sangue. Em um acordo firmado entre a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) e a empresa Tiantan Bio, nesta sexta-feira (2/10), em São Paulo, o país busca alcançar a fabricação 100% nacional do medicamento, que é derivado do plasma humano.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou do evento e anunciou a assinatura de uma portaria que oferece, pela primeira vez, recursos federais mensais para hemocentros em todo o Brasil, visando a qualificação dos serviços prestados.
A parceria com a empresa chinesa inclui o registro de uma imunoglobulina humana de uso intravenoso no Brasil, além do fornecimento do medicamento à Hemobrás e ações de licenciamento e transferência de tecnologia, sempre respeitando as diretrizes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Além disso, o Ministério da Saúde está investindo na modernização dos hemocentros, melhorando equipamentos e condições de processamento do plasma, que é vital para a produção de medicamentos como a imunoglobulina. A expectativa é aumentar em 30% a capacidade de armazenamento do plasma, fortalecendo a autossuficiência na produção de hemoderivados.
Os recursos federais, que totalizam R$ 38 milhões, serão distribuídos com base em critérios como eficiência e qualidade de gestão, visando estimular melhorias contínuas nos hemocentros e reduzir desigualdades entre os estados.
Com 2.097 serviços de hemoterapia no Brasil, a Hemobrás também planeja investir R$ 50 milhões na criação de um Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento, focado na inovação de biofármacos e medicamentos hemoderivados. A parceria com a Roche para o desenvolvimento do emicizumabe e um projeto com a UFMG para terapia genética para hemofilias A e B também fazem parte das iniciativas para fortalecer a produção nacional de medicamentos.