terça-feira, 18 de agosto de 2026
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Postado emVida e Saúde

Dor crônica não medida pode mascarar depressão resistente, aponta estudo

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Dor crônica não medida pode mascarar depressão resistente, aponta estudo
Dor crônica não medida pode mascarar depressão resistente, aponta estudo

Pesquisadores argumentam que parte dos pacientes diagnosticados com depressão resistente ao tratamento pode, na verdade, sofrer de dor crônica não identificada. Em artigo publicado nesta terça-feira (28) na revista Nature Mental Health, especialistas destacam que a dor crônica é comum em pessoas com depressão e reduz a resposta aos antidepressivos, mas não é considerada na definição de depressão resistente nem avaliada nos questionários clínicos padrão.

“Hoje, a classificação da depressão resistente ao tratamento se baseia principalmente na falha de tratamentos antidepressivos realizados em dose e duração adequadas. A presença, intensidade e impacto funcional da dor não fazem parte formal dessa definição”, afirma Nilson Mendes Neto, médico e pesquisador da Harvard Medical School e um dos autores do estudo.

Os autores ressaltam que instrumentos como o PHQ-9 e a escala de Hamilton, amplamente usados para avaliar depressão, não medem a carga de dor. Assim, mesmo quando o médico sabe da existência da dor, não há uma medida padronizada para determinar sua contribuição para a persistência dos sintomas.

“Não estamos afirmando que a maioria dos casos de depressão resistente seja explicada pela dor, mas que, em alguns pacientes, uma condição dolorosa não medida pode estar contribuindo para a aparente resistência”, explica Nilson. Ele alerta que os pacientes não devem alterar ou interromper a medicação com base no artigo.

Para o contexto brasileiro e o SUS, o pesquisador sugere medidas simples: incluir rastreio de dor na avaliação de pacientes com depressão que não responde ao tratamento, registrar essa informação de forma padronizada e fortalecer a integração entre atenção primária, psiquiatria e cuidado da dor. “Antes de tornar o tratamento mais complexo, precisamos ter certeza de que a avaliação não deixou de medir algo importante e potencialmente tratável”, conclui.

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