Representantes de montadoras e empresas da indústria automotiva chinesa participaram, nesta terça-feira (28), do encontro “Ampliação do Relacionamento – Indústria Chinesa e Zona Franca de Manaus”, promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), em parceria com o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) e o Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Estado do Amazonas (Sinaees).
Ao abrir o encontro, o presidente da FIEAM, Antonio Silva, destacou que a iniciativa visa posicionar a ZFM como parceira estratégica das fabricantes chinesas que ampliam suas operações no Brasil, atraindo novos fornecedores e agregando valor à cadeia produtiva instalada no Amazonas. “Queremos mostrar ao investidor chinês que a Zona Franca de Manaus possui uma base industrial sólida, competitiva e preparada para atender essa nova dinâmica do mercado automotivo. A expansão das montadoras chinesas no Brasil abre espaço para que fabricantes de componentes também escolham Manaus para produzir. É uma oportunidade de fortalecer nossa cadeia industrial, gerar empregos e ampliar a competitividade do Polo Industrial”, afirmou Silva.
A delegação reuniu representantes de grandes grupos industriais chineses, entre eles Great Wall Motors (GWM), Geely, Omoda & Jaecoo (Grupo Chery), além de executivos da Visteon da China, Europa e Estados Unidos. Participaram também do evento o presidente executivo do CIEAM, Lúcio Flávio Morais; secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Gustavo Igrejas; diretor executivo do Sinaees, Marcelo Batista; e Sergio Capela, coordenador da Comissão de Relacionamento Internacional do CIEAM e executivo da Visteon Asia Pacific Incorporation.
Gustavo Igrejas explanou um panorama da evolução da Zona Franca de Manaus, seus incentivos fiscais e os indicadores econômicos do Polo Industrial. Atualmente, o PIM registra cerca de 130 mil empregos diretos e projeta alcançar, em 2026, o maior faturamento de sua história, impulsionado pelo crescimento dos setores eletroeletrônico, de duas rodas e de componentes industriais. O secretário ressaltou que a recente reforma tributária preservou a competitividade da Zona Franca de Manaus, garantindo segurança jurídica aos investidores e reforçando o ambiente favorável para novos empreendimentos.
Idealizador da missão empresarial, Sergio Capela ressaltou que a instalação das montadoras chinesas no Brasil representa uma oportunidade inédita para ampliar a participação da indústria amazonense na cadeia global de fornecimento do setor automotivo. “As montadoras chinesas estão iniciando um processo de nacionalização da produção e precisarão desenvolver fornecedores locais. Manaus reúne tecnologia, capacidade industrial e segurança jurídica para atender essa demanda. Precisamos aproveitar esse momento para inserir cada vez mais empresas do Polo Industrial nessa nova cadeia de suprimentos”, destacou.
Para o presidente executivo do CIEAM, Lúcio Flávio Morais, o cenário geopolítico internacional abre uma janela de oportunidades para Manaus ampliar sua participação nas cadeias globais de produção. “O Polo Industrial de Manaus reúne infraestrutura, competitividade e um ambiente institucional consolidado para receber novos investimentos. A aproximação com a indústria chinesa fortalece nossa inserção internacional e amplia as possibilidades de geração de emprego, renda e desenvolvimento sustentável para o Amazonas”, ressaltou.
A perspectiva internacional foi apresentada pelo executivo da Visteon China, Zhang Fenghan, conhecido como Vicent, que mostrou como a indústria automotiva chinesa está redesenhando sua estratégia de expansão global. Segundo ele, o modelo baseado predominantemente na exportação de veículos está sendo substituído por uma nova etapa, voltada à implantação de unidades produtivas nos principais mercados consumidores. Nesse cenário, a localização da produção deixa de ser apenas uma vantagem competitiva e passa a ocupar posição central na estratégia das montadoras chinesas, impulsionando a formação de cadeias locais de fornecedores, parcerias industriais e investimentos de longo prazo.