No dia 1º de agosto, a Defensoria Pública do Estado do Amazonas realizou o “Dia D” da campanha “Meu Pai Tem Nome” em sua sede administrativa, na Av. André Araújo, 679, bairro Aleixo, em Manaus. A ação ofereceu exames de DNA gratuitos e atendimentos para reconhecimento voluntário de paternidade e maternidade, além de orientação sobre pensão alimentícia, guarda e outros direitos de família.
João Vitor, de 26 anos, compareceu ao evento com a ex‑companheira Alina Stheisse e a filha recém‑nascida. O jovem reconheceu voluntariamente a paternidade, permitindo que o sobrenome dele conste na certidão de nascimento da criança. “Quando eu perguntava da minha mãe pelo meu pai, ela sempre dizia que era minha mãe e meu pai, que eu não precisava saber quem ele era. Estou aqui porque quero algo diferente para a minha menina, porque eu sou sim o pai dela”, declarou.
Edinilson Cavalcante, de 42 anos, fez o mesmo reconhecimento em favor do filho Lorenzo, de seis anos, e descreveu a emoção como “inexplicável”. “Eu e ele somos muito grudados, o reconhecimento é só uma formalidade, porque ele é meu filho e pronto. Quando estou no trabalho, ele é a pessoa que me liga para saber como estou, o que estou fazendo. Viemos aqui para reconhecer isso”, pontuou.
Jaissa França, mãe de Emanuel, de três anos, compareceu ao Dia D para realizar o exame de DNA que comprovará a paternidade do filho. Ela ressaltou a importância do apoio gratuito da Defensoria: “Os funcionários nos atenderam bem e foram muito atenciosos diante do nosso caso, que é um pouco delicado. Foi uma facilidade muito grande ter esse serviço do exame de DNA de graça, pois um exame desses ficaria muito caro para a gente pagar. Fiz hoje o meu papel de mãe e fiquei feliz da Defensoria abraçar essa luta e nos dar essa oportunidade. Tudo isso que está acontecendo vai ser bom para todas as famílias”.
Amanda Botelho trouxe a filha Laura, de um ano, para o teste de DNA e elogiou a agilidade do atendimento: “O atendimento foi muito tranquilo e rápido, sem aquela burocracia que eu imaginava que ia ter. O serviço que eu vim em busca é muito importante, porque garante a paternidade da minha filha. Já tinha feito o agendamento antes, então foi bem rápido mesmo”.
Segundo dados do Portal da Transparência dos Registros Civis, mais de 1,7 milhão de crianças nascidas na última década no Brasil têm apenas o nome da mãe no documento; em 2025, cerca de 174 mil recém‑nascidos – mais de 6 % dos 2,5 milhões de nascimentos no país – não tiveram o nome do pai incluído.
A campanha integra a iniciativa nacional do Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos‑Gerais (Condege) e foi coordenada no Amazonas pela defensora pública Petra Sofia. Ela destacou que a ação visa “fortalecer os laços afetivos” e que, ao registrar o nome dos pais, “os direitos dessas famílias serão efetivados”. Em sua quinta edição, a campanha foi realizada em 18 municípios amazonenses entre 27 e 31 de julho, com atendimento presencial e virtual de 28 a 30 de julho.
De acordo com a 2ª Subdefensora Pública Geral, Sarah Lobo, o registro do nome do pai ou da mãe garante ao filho direito à pensão alimentícia, à herança e a benefícios previdenciários e sociais, reforçando a importância da Defensoria em eliminar barreiras financeiras ao acesso a esses serviços.
