Os Estados Unidos aplicaram uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos brasileiros, elevando a tarifa total para 37,5% em algumas exportações. A medida, em vigor desde sexta-feira (24), substitui a taxa global de 10% e soma-se à sobretaxa de 25%, criando uma barreira comercial significativa que pode afetar cadeias produtivas e empregos no Brasil.
A ação foi baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que incluiu o Brasil entre 54 países considerados com controle inadequado sobre bens produzidos com trabalho forçado. A lista também inclui China, Argentina, Austrália, Japão, Índia, Reino Unido e África do Sul, o que demonstra um enquadramento amplo e pouco atento às realidades nacionais.
Para a Zona Franca de Manaus (ZFM) e o Polo Industrial de Manaus (PIM), a preocupação é indireta, mas relevante. Qualquer retração do mercado brasileiro tende a repercutir no Amazonas, já que a força da ZFM depende do consumo interno e da estabilidade das cadeias produtivas. O desempenho do PIM, portanto, deve ser visto como questão estratégica nacional.
De janeiro a maio de 2026, o PIM faturou R$ 99,64 bilhões, demonstrando resiliência. No acumulado do ano, o setor de Duas Rodas liderou com 20,7% do faturamento, seguido por Bens de Informática (20,6%), Eletroeletrônicos (16,2%), Químicos (11%), Termoplásticos (10,4%), Metalúrgicos (8,7%) e Mecânicos (6,4%).
As importações de componentes também indicam confiança empresarial: em maio, os insumos somaram US$ 1,4 bilhão, alta de 9,2% ante abril. Esse movimento sustenta mais de 130 mil empregos diretos no PIM. Além disso, o IBCR-AM cresceu 1% em abril, e o ICEI-AM atingiu 58 pontos, acima do indicador nacional.
Diante do cenário de pressão externa, o Brasil precisa defender sua indústria e seus mecanismos de controle, reconhecendo a importância nacional da Amazônia produtiva.