A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPAM) levou, nesta quarta-feira (26/8), o projeto “Papo por Elas” à Escola Estadual Roderick Castelo Branco, no bairro São José, em Manaus. A ação reuniu 40 adolescentes para discutir temas como assédio, consentimento e comportamentos naturalizados nas relações.
Durante a atividade, os estudantes participaram de uma dinâmica com comentários retirados de postagens e notícias que repercutiram nas redes sociais, como “se ela disse não, é só insistir mais um pouco” e “ele só passou a mão sem querer, estão exagerando”. A proposta foi provocar reflexão sobre frases que, muitas vezes, passam despercebidas no cotidiano.
Para a estudante Ana Clara Souza, de 15 anos, a discussão é essencial no ambiente escolar. “Muitas pessoas vêm das suas casas com um pensamento machista, que acaba estando nas nossas mentes no dia a dia, de uma forma que nós nem percebemos às vezes”, afirmou. Ela destacou que é na adolescência que ocorre a formação do caráter e que a iniciativa ajuda a abrir a mente para outras situações.
O estudante Bryan Nellyson, de 16 anos, também participou do debate e refletiu sobre a culpabilização das vítimas. “A frase que mais me fez refletir foi: por que o pessoal coloca a vítima como uma vilã? Hoje em dia, isso é um fato, porque na nossa sociedade muitas pessoas não olham o lado da vítima. Mas, no caso, é para nós defendermos a vítima, porque a vítima não tem culpa de nada”, disse.
A diretora da escola, Roseane Vargas Batista, ressaltou a importância de trazer a pauta para dentro da escola. “Isso muda a vida, transforma a realidade. Os alunos começam a compreender o seu lugar e o seu papel na sociedade”, afirmou. Ela também defendeu a aproximação dos estudantes com instituições que atuam na defesa de direitos.
O projeto “Papo por Elas” é realizado pelo Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher (Nudem) da DPAM, em parceria com a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc). Criado em 2019, o projeto percorre escolas das redes pública e privada com atividades de educação em direitos, contando com profissionais das áreas jurídica, de serviço social e de psicologia.
