A vacinação contra o HPV no Brasil resultou em uma redução significativa da prevalência do vírus entre jovens, conforme revela um estudo realizado pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde. A pesquisa, que é a maior sobre a eficácia do imunizante na América Latina, mostrou que a taxa de infecção caiu de 14,98% para 7,95% entre os participantes.
O estudo, denominado Pop-Brasil, analisou amostras de 6.388 jovens não vacinados na primeira fase, e mais de 10 mil na segunda fase, incluindo vacinados e não vacinados. O foco foi em jovens de 16 a 25 anos, grupo que apresenta a maior prevalência de HPV, conforme explica a médica epidemiologista Eliana Wendland.
Apesar de a vacina ter demonstrado eficácia, a cobertura vacinal ainda está aquém do ideal. Apenas 61,8% das meninas e 31,1% dos meninos estavam vacinados, enquanto a taxa recomendada é de 90%. Entre as participantes vacinadas, a prevalência de HPV caiu de 15,6% para 3,1%.
A pesquisa também indicou um efeito rebanho, onde a vacinação em massa protege indiretamente até mesmo aqueles que não foram vacinados. A prevalência do HPV entre meninas não vacinadas caiu para 10,5% na segunda fase do estudo.
Além disso, o estudo revelou que o esquema vacinal atual do Sistema Único de Saúde (SUS), que oferece apenas uma dose, é eficaz, já que não foram encontradas diferenças significativas na prevalência entre aqueles que receberam uma, duas ou três doses.
A vacinação contra o HPV começou em 2014, inicialmente apenas para meninas, e em 2017 passou a incluir meninos. Atualmente, o público-alvo abrange crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, além de adultos vulneráveis.
O HPV é o principal causador do câncer do colo do útero e pode afetar outros órgãos. A vacina disponível no SUS protege contra os quatro principais tipos oncogênicos do vírus.