terça-feira, 18 de agosto de 2026
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Postado emVida e Saúde

Estudo mapeia hepatites virais no Brasil e alerta para prevenção

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Estudo mapeia hepatites virais no Brasil e alerta para prevenção
Estudo mapeia hepatites virais no Brasil e alerta para prevenção

Pesquisadores do Hospital Israelita Albert Einstein analisaram 200 estudos científicos publicados entre 2013 e 2024, com dados de mais de 14,5 milhões de pessoas, e traçaram um panorama das hepatites virais no Brasil. O objetivo é fortalecer estratégias de prevenção e cuidado para que o país alcance a meta de eliminar a doença até 2030.

O estudo, publicado na revista PLOS ONE, faz parte do projeto Caracterização de Hepatites Virais em Populações Vulnerabilizadas, desenvolvido no âmbito do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS). Foram analisadas todas as hepatites virais: A, B, C, D e E.

O coordenador da pesquisa, médico João Renato Rebello Pinho, destacou à Agência Brasil que, embora as hepatites B e C sejam as mais conhecidas por serem frequentes e crônicas, a hepatite A também merece atenção. A doença, transmitida por via oral/fecal, voltou a se manifestar no país, principalmente entre homens que fazem sexo com homens, devido ao contato oral/anal. “Isso fez com que essa doença voltasse a se manifestar na população brasileira em geral”, explicou.

Pinho ressaltou a importância da vacinação contra a hepatite A, disponível no SUS para crianças e grupos de risco, e lembrou que a transmissão não ocorre por contato casual, como em ônibus ou ruas, mas sim por contato íntimo ou alimentos contaminados. Por regiões, a doença é mais frequente na Amazônia, Norte e Nordeste, mas casos em homens acima de 18 anos têm aumentado no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, devido ao comportamento sexual e à falta de vacinação gratuita para essa faixa etária.

Para as hepatites B e C, a transmissão ocorre principalmente por via sexual e contato com sangue, incluindo uso de drogas injetáveis. A transmissão de mãe para filho durante a gestação e parto está controlada no Brasil. Enquanto a hepatite B tem vacina e tratamentos eficazes, a hepatite C não tem vacina, mas os tratamentos atuais curam mais de 95% dos pacientes. “O ideal, porém, é que a pessoa não pegue a hepatite C”, reforçou o médico, orientando sexo seguro e evitar compartilhamento de agulhas.

A hepatite D, ou Delta, é negligenciada e ocorre principalmente na região amazônica, em populações ribeirinhas. Só quem tem hepatite B pode contrair a Delta, que pode ser mais grave e levar à cirrose e câncer de fígado. A vacina contra a hepatite B também protege contra a Delta. Já a hepatite E, pouco conhecida, é uma zoonose transmitida por animais, especialmente porcos, e no Brasil tem genótipo diferente do encontrado na Índia.

O estudo reforça a necessidade de ampliar o diagnóstico e a prevenção, especialmente em populações vulneráveis, para que o Brasil cumpra a meta de eliminar as hepatites virais até 2030.

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