O mercado brasileiro de bioinsumos movimentou cerca de R$ 7 bilhões em 2025 e pode atingir R$ 10 bilhões até 2030, representando um crescimento de 46%, conforme a Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (Anpii-Bio). Além disso, o uso de bioinsumos resultou na redução de 280 milhões de toneladas de CO₂ na atmosfera no ano passado, equivalente à poluição gerada por 60 milhões de veículos.
Essas informações foram divulgadas durante a XXII Reunião da Rede de Laboratórios para Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologias de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola (Relare), que ocorre em Curitiba (PR), reunindo cerca de 250 participantes, incluindo cientistas e representantes da indústria.
A pesquisadora Mariangela Hungria, da Embrapa, destacou a importância da Relare para consolidar o uso de inoculantes no Brasil, contribuindo para a elaboração de protocolos utilizados pelo Ministério da Agricultura. Segundo ela, o Brasil se tornou líder mundial no uso dessas tecnologias, especialmente na fixação biológica de nitrogênio na soja.
O uso de bioinsumos tem se expandido para outras culturas, como milho e trigo, proporcionando redução de custos e aumento na eficiência do uso de nutrientes. Na soja, por exemplo, 85% da área cultivada utiliza tecnologias que dispensam fertilizantes nitrogenados químicos, gerando economia de US$ 28 bilhões na última safra.
Durante o evento, foram abordados temas como regulamentação, controle de qualidade e tendências de mercado, com o objetivo de alinhar a pesquisa às demandas do setor agrícola. A diretora da CropLife, Amália Borsari, enfatizou a necessidade de que a regulamentação de bioinsumos acompanhe os avanços científicos e promova a internacionalização dos produtos brasileiros.