O deputado estadual Comandante Dan (Republicanos) defendeu a ampliação da integração entre as forças de segurança pública no Amazonas, destacando que o enfrentamento ao crime organizado exige compartilhamento permanente de inteligência e atuação coordenada entre União, estados, municípios e países vizinhos. A declaração ocorre em meio ao debate nacional sobre o tema, que foi pauta de audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF).
Presidente da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), Comandante Dan avalia que a questão assume dimensão ainda maior no estado devido às características territoriais e à presença de rotas utilizadas por organizações criminosas para o tráfico de drogas, armas e outros ilícitos.
“Não se combate uma criminalidade que atravessa municípios, estados e países com instituições trabalhando isoladamente. A integração precisa acontecer na operação, na inteligência e, principalmente, na informação. Quem está na ponta precisa ter acesso rápido aos dados necessários para identificar pessoas, organizações, rotas, patrimônio e movimentações suspeitas”, afirmou o parlamentar.
A discussão ganhou força durante audiência pública convocada pelo ministro Alexandre de Moraes para os dias 24 e 25 de agosto, no STF, sobre dispositivos da Lei Federal nº 15.358/2026, conhecida como Lei Antifacção ou Marco Legal do Combate ao Crime Organizado. Na ocasião, Moraes criticou a falta de compartilhamento de informações entre instituições e alertou para a capacidade de cooperação das organizações criminosas.
Para Comandante Dan, o combate às facções não pode ser reduzido ao aumento de penas ou à ampliação de efetivos. “Podemos ter bons policiais, equipamentos, tecnologia e legislação mais rigorosa. Mas, se a informação produzida por uma instituição não chega a quem precisa dela em outra instituição, abrimos uma vantagem para o criminoso. Inteligência fragmentada significa capacidade operacional desperdiçada”, disse.
No Amazonas, o desafio envolve Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Forças Armadas e órgãos federais de fiscalização e inteligência. A posição geográfica do estado acrescenta a necessidade de articulação interestadual e internacional. “O crime organizado trabalha em rede. O Estado também precisa trabalhar em rede. Uma informação produzida em Tabatinga pode ser decisiva para uma investigação em Manaus, em outro estado ou até em outro país”, ressaltou.
O deputado defende um diagnóstico sobre a interoperabilidade dos sistemas de segurança pública no Amazonas, identificando lacunas no compartilhamento de dados. Ele também é autor da Lei nº 7.376/2025, que estabelece medidas de integração e cooperação no enfrentamento ao crime organizado no estado. “Na segurança pública, informação no lugar certo e na hora certa pode significar uma prisão, a apreensão de uma carga de drogas, a interrupção de uma rota criminosa ou até uma vida preservada. No Amazonas, integração não é uma opção. É uma necessidade”, concluiu.
